terça-feira, 7 de outubro de 2008


ENTREVISTA EXCLUSIVA COM AUGUSTO

por Nuno Pacheco, Paulo Henriques e Pedro Azevedo "Guetov"






"FOI UMA IMENSA HONRA TER REPRESENTADO O PORTIMONENSE E COM ELE TER VIVIDO OS MELHORES MOMENTOS DA MINHA CARREIRA!"



Antes de mais nada gostaria de relatar um episódio passado há cerca de 20 anos e em que Augusto foi a personagem principal.
Desloquei-me a Portimão para asistir a mais um jogo entre o Belenenses e o Portimonense, ou seja a equipa do meu avô contra a minha. Ambos os conjuntos estavam recheados de excelentes intervenientes mas para que todos possam compreender a importância que o franzino extremo Augusto possuía passo a explicar: Teixeira, poderoso defesa-central/lateral esquerdo do Belenenses, que também jogou no Vitória de Setúbal, foi incumbido de uma missão muito especial nesse jogo. O treinador do Belenenses incumbiu Teixeira de marcar Augusto e segui-lo literalmente para todo o lado, procurando fazer com que este não tivesse posse de bola. Augusto sofreu uma marcação cerrada por parte do lateral dos "pastéis de Belém", que parecia não querer descansar enquanto não fizesse sair do terreno o pequeno e irrequieto jogador do Portimonense. Depois de várias tentativas, Teixeira teve uma entrada violentíssima sobre Augusto que obrigou este último a sair lesionado. Inacreditavelmente o árbitro não expulsou Teixeira e a partida que se encontrava empatada a zero bolas ainda na primeira parte acabaria por terminar com uma vitória do Belenenses por cinco bolas a uma! Depois de anular um dos mais importantes e criativos jogadores do Portimonense de todos os tempos, o Belenenses alcançou uma vitória histórica que não passaria pela cabeça de nenhum dos presentes no então Estádio do Portimonense. (Pedro Azevedo "Guetov")




BdP: Com que idade começou a jogar e como foi o seu percurso até chegar ao Portimonense em 1985/1986 apenas com 20 anos?
Augusto: "Comecei nas escolas do Olhanense aos 7 anos de idade, passei pelo Marítimo Olhanense a quem também devo agradecer. Quando subi aos juniores, por parte do Olhanense fui contactado por Carlos Silva, que reconhecendo o meu talento fez-me optar entre a escola e o Futebol. Foi aí que começou a minha carreira de jogador de Futebol e estou muito grato a Carlos Silva que infelizmente já não está entre nós."

BdP: Que treinadores e colegas gostaria de destacar nesses primeiros anos da sua carreira ao serviço do Olhanense?
Augusto:
"São vários os treinadores e colegas que não esqueço, mas Carlos Silva foi sem dúvida aquele que mais me marcou (Treinador do Olhanense naquela época, recentemente Secretário Técnico da FPF na era Scolari, entretanto já falecido)."

BdP: Chegou a Portimão na época da única participação Europeia do Portimonense. Como se processou a sua vinda para o Portimonense no melhor período de sempre do nosso clube?
Augusto:
"Foi através de Manuel José que é uma pessoa por quem eu tenho uma grande consideração e do meu cunhado Luís Reina que já estava no Portimonense. Ambos contribuiram para a minha vinda para Portimão, embora tivesse outros clubes interessados no meu concurso. As direcções chegaram a acordo e foi com muito orgulho que vim para Portimão."

BdP: Como viveu os dois jogos contra o Partizan?
Augusto:
"Foi um momento espectacular, tínhamos uma grande equipa e infelizmente não conseguimos levar o Portimonense à segunda eliminatória da Taça UEFA, algo que ficou para sempre entalado na minha garganta..."

BdP: Vítor Oliveira foi o seu primeiro Treinador no Portimonense. Como o caracteriza?
Augusto:
"Foi meu treinador e colega, uma pessoa espectacular que não teve medo de apostar em mim e que tem vindo a fazer uma boa carreira como técnico. Tenho muito orgulho na sua carreira."

BdP: Num plantel recheado de excelentes jogadores (Vital, Simões, Carvalho, Nivaldo, Skoda, Cadorin, etc.), Augusto, na altura muito jovem, conseguiu ainda assim disputar 14 partidas para o Campeonato. Que análise faz a essa época histórica do nosso clube?
Augusto:
"Foi uma época espectacular em que foram precisos pouco mais de vinte minutos para mostrar a toda a gente o valor que tinha, pois o treinador não teve a mínima hipótese de não me colocar a jogar. Sempre fui um jogador que trabalhava muito nos treinos e nos jogos. Recordo-me do Mister Vítor Oliveira me ter dito que quando chegasse a minha hora teria que agarrá-la com unhas e dentes e foi isso que eu fiz."

BdP: A temporada seguinte, 1986/1987, foi provavelmente a sua melhor época de sempre. 30 jogos para o Campeonato, 2 golos marcados e a transferência para o Benfica. Que recordações tem desse ano glorioso onde outro jovem talentoso chamado Pacheco realizou uma excelente época e consequente transferência, igualmente para o Benfica?
Augusto:
"Esse ano foi espectacular, pois consegui alcançar todos os meus objectivos menos a Internacionalização pela Selecção A. Fui Internacional Esperança e Olímpico, tendo-se dado a transferência para o Benfica. Devido à ligação que havia entre o Portimonense e o Torralta, eu só seria vendido ao Benfica caso o Pacheco fosse comigo. Nessa altura cheguei junto do Presidente do Portimonense Manuel João e disse-lhe que não era a melhor altura para ir para um clube grande, tendo-me este respondido que o negócio estava feito e assim tive de assinar pelo Benfica."

BdP: Foi treinado por Paulo Roberto e como colegas conheceu Luciano, Forbs, Alain, Sérgio, entre muitos outros. Lembra-se de algum episódio engraçado ou curioso envolvendo algum deles?
Augusto:
"(risos)... lembro-me de um episódio do falecido Cadorin, a célebre cadeirada... Paulo Roberto sempre me respeitou e eu a ele, sempre fui um jogador que trabalhava nos treinos e nos jogos para jogar e não tenho razões de queixa dele, embora toda a gente saiba como ele era..."



BdP: Como surgiu o interesse do Benfica na sua aquisição e como se sentiu quando lhe propuseram a ida para este grande clube?
Augusto: "Quando cheguei a Portugal, após ter participado no Torneio de Toulon, soube que o Sporting, FC. Porto e Benfica estavam interessados no meu concurso. Acabei por optar pelo Benfica pois sempre fui benfiquista, apesar de achar que não era a altura ideal para me transferir para um clube grande."

BdP: Ao serviço do Benfica disputou 13 jogos para o Campeonato onde terminaram em segundo lugar a 15 pontos do Campeão FC. Porto. Na sua opinião o que falhou para não se ter conseguido afirmar no Benfica? Terá sido a forte concorrência ou o factor inadaptação? Pacheco foi junto consigo mas com ele as coisas funcionaram de uma outra forma como sabemos. Curiosamente na altura recordo-me que se previa um futuro melhor a Augusto em comparação com Pacheco. Que tem a dizer sobre tudo isto?
Augusto: "São aspectos da vida de um futebolista. Nessa época também tive de cumprir o Serviço Militar, juntamente com algumas lesões fizeram com que a adaptação não fosse tão fácil como a do Pacheco."

BdP: No Benfica foi treinado por Skovdahl e depois por Toni. Com qual destes dois treinadores gostou mais de ter trabalhado?
Augusto: "Preferia não ter sido treinado por nenhum deles, apesar do senhor Skovdahl me ter lançado e feito jogar. Quanto a Toni... só amarguras."

BdP: Conheceu no Benfica outra realidade bem diferente daquela a que estava habituado. Como viveu esse período e com que opinião ficou do clube de Lisboa? Hoje em dia sente-se de alguma forma benfiquista?
Augusto: "Sinto-me benfiquista mas fiquei desiludido com algumas pessoas que passaram pelo Benfica nessa época, tínhamos um plantel enorme e de grande qualidade e ainda consegui tirar o lugar a grandes nomes do Benfica daquele tempo. Como era um miúdo, naquela altura deixei-me levar em situações que não deveriam ter acontecido."

BdP: Do Benfica, onde esteve uma época, regressou ao Portimonense. Porque preferiu regressar a Portimão onde foi treinado por Manuel Cajuda e José Torres?Augusto: "O contrato feito na altura previa o meu regresso ao Portimonense, embora tenham existido outros clubes interessados, como o Vitória de Guimarães, Sporting de Braga e Boavista. O Benfica nunca quis emprestar-me a nenhum desses clubes."

BdP: Reencontrou alguns ex-colegas e conheceu outros como Aurélio, Guetov ou César Brito. O Portimonense já não era tão forte como nas duas primeiras épocas em que esteve ao seu serviço. Tem também essa opinião?
Augusto:
"O Portimonense tinha também uma excelente equipa nesse ano, mas alguns jogadores dessa época não tiveram o rendimento que a massa associativa e o clube esperavam..."

BdP: Nessa época, Oliva, outro jogador formado no Olhanense, chegou ao Portimonense e muitos comparavam-no consigo, pela idade que tinha e por também ser proveniente de Olhão. O que faltou a Oliva para se afirmar no Portimonense e na 1ª Divisão?
Augusto:
"Eu indiquei Oliva e Flóris, e Manuel Cajuda, que também os conhecia, trouxe-os para o Portimonense. Eram ambos bons jogadores, mas penso que no caso do Oliva a adaptação é muito importante e penso ter sido esse o problema."

BdP: Gostava que deixasse um comentário a dois conterrâneos seus que também alinharam consigo ao serviço do Portimonense: os irmãos João e Luís Reina.
Augusto:
"O Luís (Reina) que é meu cunhado e o João são pessoas espectaculares, excelentes jogadores que em todos os clubes por onde passaram deixaram a sua marca. Tanto o Luís como o João ajudaram-me bastante aquando da minha vinda para Portimão, só tenho a agradecer-lhes tudo o que fizeram por mim."

BdP: Numa votação levada a efeito pelo Blog do Portimonense, Cadorin e Guetov foram considerados os dois melhores jogadores de sempre do Portimonense. Como jogou com ambos dê-nos a sua opinião sobre estes dois jogadores. Para si quem foi o melhor jogador de sempre do Portimonense? O belga, o búlgaro ou outro?
Augusto: "O Belga (Cadorin) sem dúvida nenhuma, era um jogador diferente, foi o melhor avançado com quem joguei em toda a minha carreira. Já faleceu infelizmente, esteja ele onde estiver que oiça aquilo que vou dizer: era uma pessoa simplesmente espectacular, apesar de toda a sua irreverência..."

BdP:
Manuel João era o carismático Presidente do Portimonense. Com que opinião ficou sobre ele?
Augusto:
"Manuel João sempre me considerou como um filho, mas fiquei bastante desiludido e magoado com ele, apesar de hoje termos voltado a falar. Estivemos cerca de quatro anos sem qualquer tipo de contacto, pois senti-me enganado em situações que não vale a pena agora estar a falar..."

BdP: Porque não permaneceu no Portimonense e saiu para o Beira-Mar?
Augusto:
"Isso é uma história muito complicada... Muitos sócios não sabem o que se passou. Mas Manuel João sabe que o Portimonense era o clube que eu mais gostava, para além do Olhanense. Nessa época aconteceu um episódio um tanto ou quanto desagradável, porque fui dos únicos jogadores que não recebi ordenado e após um célebre jogo Ac. Viseu - Portimonense, dirigi-me ao Manuel João e disse-lhe que já estava farto das suas promessas, pois prometia que pagava e nada, ainda para mais considerando-me como um filho. Prejudicou-me bastante, tendo eu família para sustentar, até que no final dessa época (88/89), Manuel João não quis que eu ficasse e fizesse parte do plantel para a época seguinte."

BdP: Sente alguma mágoa do seu percurso enquanto jogador?
Augusto:
"Sim, sinto alguma mágoa porque fui tratado como um escravo em certas alturas da minha carreira. Com a Lei Bosman, se eu e outros jogadores aparecêssemos hoje não sei o que seria... apesar disso só não fui Internacional A, ainda hoje não compreendo porquê... Pois na época 86/87 ganhei o prémio de melhor extremo-direito em Portugal, o Troféu Puma e fui considerado o segundo melhor jogador no Torneio de Toulon. Para além disso tive vários clubes interessados no meu concurso. Quando cheguei do Torneio de Toulon já tinha o contrato feito com o Benfica, era só assinar e sem a minha autorização, pois eu queria ficar mais uma época no Portimonense porque não me sentia preparado para dar o salto para um clube grande."

BdP: Depois de ter saído do Portimonense, passou pela U.Leiria, Olhanense (um regresso), Louletano, esteve no Praiense dos Açores, Juventude de Évora, Imortal, Desportivo de Beja, Almancilense e Monchiquense. Passados estes anos todos e olhando para trás, como analisa a sua carreira?
Augusto: "A minha carreira foi uma carreira espectacular em todos aspectos e só tenho pena de não ter chegado à Selecção A, de resto consegui cumprir com os meus objectivos e estou tranquilo com aquilo que fiz em todos os clubes por onde passei. Foi uma honra representar o Futebol português a nível de Selecções (Internacional Esperança e Olímpico), apesar de muita gente dizer que passei ao lado de uma grande carreira, estou satisfeito com aquilo que realizei, foi com imenso orgulho que representei todos os clubes por onde passei, apesar de não me terem deixado ir mais além no Futebol profissional..."

BdP: Conte-nos os episódios que mais o marcaram ao serviço do Portimonense, os mais engraçados e uma história que nunca tenha contado a ninguém e que queira partilhar connosco...
Augusto:
"Não tenho assim grandes episódios...mas era uma pessoa humilde, brincava com toda a gente, como já havia referido há pouco, a cadeirada do Cadorin no Paulo Roberto foi o episódio que mais me marcou, apesar de nesse dia de manhã estar na tropa, não tendo assistido ao que se passou. Fiquei mesmo chateado com a situação e esse episódio acabou por mexer com a personalidade do Paulo Roberto.



BdP: Sente-se injustiçado nos clubes por onde passou ou pelo Futebol em geral?
Augusto:
"Quando saí do Portimonense, não tinha mais nada a provar a ninguém, eu só tinha era que me manter equilibrado... Depois a humildade acabou por me prejudicar. Deixo uma mensagem a todos os jovens atletas, que não tenham tanta humildade, é bom ser humilde mas isso acabou por me prejudicar em certos clubes por onde passei..."

BdP: Na sua opinião, quando se é humilde demais, acaba por não se vingar no Futebol?
Augusto:
"Uma pessoa não pode ser nem muito burro nem muito esperto, tem que ser equilibrado e naquela altura era um jovem, tinha acabado de sair do Portimonense e tive colegas mais experientes que não me ajudaram. Em Portimão tive colegas também mais experientes e bons colegas que me ajudaram e nunca aconteceu o que se passou no Benfica."

BdP: Segundo as suas palavras o Futebol foi sempre feito de corrupção, de amizades, de compadrios e até hoje tudo se mantem na mesma?
Augusto:
"No Futebol sempre houve situações dessas e é pena que algumas delas tenham sido descobertas tão tarde, pois nos anos em que joguei sempre ouvi falar disso. Aconteceu foi que essas situações vieram à baila há pouco tempo, mas sempre existiu corrupção... A nível de jogadores, entre colegas, empresários... Naquela altura tive a oportunidade de ter empresário e não quis tê-lo. Manuel Barbosa (empresário entre outros de Aldaír, Mozer, Ricardo Gomes, Valdo) quis os meus serviços e eu não aceitei, se calhar foi um passo atrás porque ao longo da minha carreira nunca tive empresário e tudo o que consegui foi graças ao meu suor e sacrifício e nunca precisei de empresário, graças a Deus..."

BdP: Hoje torce pelo Portimonense ou pelo rival Olhanense? Não vale dizer que é do Monchiquense!
Augusto
:"Não vale a pena dizer se sou de um ou de outro clube, quando se encontrarem que ganhe o melhor, pois foram os dois clubes que mais me marcaram e para além disso já estou em Portimão há vinte e dois anos, cidade que considero como a minha casa."

BdP: Continua a acompanhar o Portimonense? Se sim, como analisa o percurso do Portimonense, desde a queda na 2ª Divisão B, o regresso com Amílcar Fonseca, os problemas financeiros e a situação actual num período em que o clube parece querer reerguer-se?
Augusto:
"Eu não tenho acompanhado muito o Portimonense, pois acho que o clube deveria apostar mais na "prata da casa" e não é isso que está a acontecer. O meu filho jogou no Portimonense durante muitos anos e acho que não é por ele mas por outros que por lá passaram nas camadas jovens que tinham qualidade para se apostar neles, em vez de irem buscar jogadores ao Brasil e outros países. Não para jogarem ao nível de jogadores mais experientes, mas para integrarem o plantel, pois em Portimão existem miúdos com qualidade."



BdP: Acredita que o Portimonense possa um dia voltar ao Campeonato Principal? Quem acha que reúne neste momento melhores condições no Algarve para hipoteticamente poder lutar pela subida: Portimonense ou Olhanense?
Augusto:
"Penso que o Portimonense não está preparado para chegar à primeira divisão, pelo que tem vindo a fazer nestes últimos anos, e que me perdoem os portimonenses que eu adoro, sempre adorei, mas acho que o Olhanense tem uma situação financeira mais estável e encontra-se melhor preparado para subir de divisão."

BdP: Como é ser treinador no Monchiquense? Já agora, conte-nos como tem sido a sua carreira enquanto treinador?
Augusto:
"É uma experiência muito forte... Foi uma aposta que fizeram em mim e vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para não defraudar as pessoas que apostaram na minha pessoa. Estou a gostar da experiência, tenho excelentes miúdos, pois o plantel é feito à base da "prata da casa" e levo também três daqui de Portimão. Sinto-me preparado para fazer uma boa época, se me ajudarem..."

BdP: Se um dia um Presidente lhe pedir para sacrificar um jogador em detrimento de outro o que lhe responde?
Augusto: "Eu não pactuo com situações dessas... Porque se acontecesse era a primeira pessoa a despedir-me. Não aceito que um Presidente me diga que este jogador não joga porque é filho deste e este é que tem que jogar porque é filho daquele! Já agora aproveito para dizer o porquê de ter aceite o cargo de treinador do Monchiquense e de não ter tirado o curso de treinador. Na minha carreira futebolística vi tanta coisa… Depois de ter acabado a carreira a nível profissional ainda assisti a mais situações que me desagradam, como certos colegas meus que passaram a treinadores e mudaram do dia para a noite. Como não gosto de deixar de ser aquilo que sempre fui, nunca quis tirar o curso de treinador. Como joguei em Monchique dois anos e gostei das pessoas, foi uma aposta que fizeram em mim que resolvi aceitar. Mas não está na minha cabeça ser treinador, no fundo nunca se sabe, pois eu tenho o meu trabalho, a minha família (o filho Lino joga no U. Messinense), os meus amigos e não estou em condições de treinar uma equipa profissional. Mas obviamente espero que esta experiência em Monchique resulte."

BdP: Existe alguém, seja colega, treinador ou funcionário do Portimonense que nunca mais tenha visto e que gostasse de reencontrar? Quem e porquê?
Augusto:
"Há muita malta que jogou comigo e que gostava de reencontrar e que já não vejo há muitos anos. Vital, Dinis, Vítor Oliveira, Pedroto, Balacó tenho estado com ele, agora foi para os Açores (adjunto de Mendes no Madalena), Simões, foi tudo malta que me marcou como jogador, eles ajudaram-me muito e sem eles nunca conseguia ter feito aquilo que fiz."

BdP: Conhecia o Blog do Portimonense? Se sim deixe-nos a sua opinião sobre o nosso trabalho.
Augusto:
"Não conhecia, estava longe disso, mas penso que estão a fazer um bom trabalho. Em relação ao Portimonense penso que deveriam apostar mais nas camadas jovens, pois existem muitos bons jogadores em Portimão. Se um dia se apostar em certos jogadores, o Portimonense vai com certeza "fabricar" excelentes atletas."

BdP: Tanto quanto sabemos continua a vestir a camisola do Portimonense na equipa de Veteranos. Qual é a sensação, passados tantos anos de voltar a vesti-la? Augusto: "É uma sensação de orgulho, vesti-a durante muitos anos e é com orgulho que estou a vesti-la novamente e voltaria também a vestir a do Olhanense. Já me convidaram e tenho que voltar a fazê-lo, pois guardo muito boas recordações dos tempos que lá passei, pois foi um clube que me marcou bastante, tal como o Portimonense."

BdP: Acredita neste Portimonense, versão 2008/2009?
Augusto:
"Penso que é de acreditar. Por aquilo que tenho ouvido falar desta Direcção, está a pagar as dívidas deixadas pela anterior gestão. Gostava no entanto de deixar um alerta, eu desejava que o Portimonense subisse ou pelo menos tentasse subir à Primeira Divisão, pois hoje em dia os clubes estão muito aquém daquilo que é o Algarve. Eu agradecia que olhassem pelos clubes para que um dia, pelo menos um deles subisse à Primeira Divisão e pudéssemos voltar a ver grandes clubes aqui no Algarve. Antigamente, com o PORTIMONENSE e o Farense era maravilhoso ver as pessoas acudirem ao Futebol. No meu tempo, aqui em Portimão, era sempre casa cheia, era um espectáculo, jogávamos com outra vivacidade e quando íamos jogar fora, era espectacular o apoio. Foi um sonho ter defendido as cores do PORTIMONENSE na Primeira Divisão naqueles maravilhosos anos..."

BdP: Gostariamos que deixasse uma mensagem a todos os sócios, adeptos e simpatizantes do Portimonense.
Augusto:
"Penso que é com gratidão e grande amor que lhes dou esta entrevista, pois fui sempre acarinhado. Toda a gente aqui da terra gosta de mim e queria agradecer o apoio que me deram assim que cheguei a Portimão, desde sócios, jogadores, sempre fui muito acarinhado. O meu Muito Obrigado."


Termina assim este reencontro com um dos melhores jogadores de todos os tempos do Portimonense, que esteve nos melhores momentos da nossa já longa existência. O Blog do Portimonense aproveita a ocasião para agradecer ao Portimonense, representado por Jorge Dias, pelo pin, cachecol e livro do clube que o nosso colaborador Nuno Pacheco ofereceu a Augusto.
E claro, agradecer ao Augusto por nos ter recebido, foi uma honra para nós termos estado à conversa com alguém tão humilde, simpático e prestável. Desejamos ao Augusto as maiores felicidades para a sua vida pessoal e profissional. E que tenha o maior êxito desportivo ao serviço do Monchiquense.

2 comentários:

Nuno Pacheco disse...

Foi uma honra ter participado nesta entrevista e ter estado á conversa com um dos jogadores que mais gostei de ver jogar no nosso PORTIMONENSE e que como homem é de um carácter,uma humildade e uma simpatia que impressionam.Obrigado AUGUSTO!Um grande Abraço.

Anónimo disse...

Pois realmente é um prazer toda esta entrevista e reviver através dela momentos da vida deste grande homem que todos lembramos com carinho.
Cumprimentos para si Augusto