sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

ARTIGO DE OPINIÃO - José Morais, um Treinador em quem eu apostava!


Decidi escrever este post porque aposto que ninguém se lembraria deste nome para treinar o Portimonense.

José Morais é o actual Treinador do Esperance Tunis da Tunísia, onde chegou a 19 de Novembro último (assinou contrato com a duração de ano e meio) e pelo qual já conquistou um título (Taça das Taças do Norte de África, única taça que faltava no historial do clube), aprestando-se para vencer o Campeonato da Tunísia, onde lidera destacado a poucas jornadas do final da competição).

José Morais, apesar de atravessar um excelente momento desportivo ao serviço do Espérance de Tunis, não coloca de parte um regresso a Portugal: "É sempre um objectivo. Em termos competitivos sinto-me feliz, mas não digo não a um regresso a Portugal" como fez questão de afirmar ao MaisFutebol.

José Morais
vai coleccionando artigos de viagem e carimbos no passaporte. O Treinador português decidiu emigrar há três anos, já depois de uma passagem pelo Futebol alemão. Em diálogo com o MaisFutebol, o técnico recorda o seu percurso no Benfica B e o contacto com José Mourinho, no início de uma relação duradoura.

O Benfica recebeu José Morais na década de 90. O actual treinador do Esperance de Tunis desempenhou funções nas camadas jovens do clube da Luz, integrou as equipas técnicas de Toni, Graham Souness, Jupp Heynckes e José Mourinho e orientou o Benfica B no início do milénio.
"Deveria ter havido continuidade para aquele projecto. As equipas B deviam assentar nos mesmos moldes que na Alemanha ou em Espanha, onde podem subir de divisão, ou fazer algo como em Inglaterra, onde há um campeonato de reservas. Em Portugal, o projecto foi abandonado por questões financeiras", recorda.

Os clubes portugueses desistiram progressivamente das equipas secundárias. Olhando para trás, houve real aproveitamento desse espaço de crescimento desportivo? "Dessa equipa do Benfica B, temos o Moreira e o Jorge Ribeiro no Benfica, o João Pereira no Sp. Braga, o Geraldo no AEK de Atenas, o Bruno Aguiar no Hearts da Escócia. Ou seja, os jogadores aparecem e têm qualidade. Depois, se o Benfica os aproveitou ou não, são questões que prefiro nem comentar", atira José Morais.

Refira-se que José Morais após ter saído do Benfica ingressou no Estoril-Praia em 2001/02 onde foi acompanhado pelo Preparador Físico Prof. João Miranda (trabalhou com Dito no Salgueiros e no Esposende, mas não chegou a acompanhar este último no Portimonense), meu amigo há largos anos. Foi nessa altura que tive a oportunidade e o privilégio de conhecer José Morais aquando de uns testes de potência realizados no ginásio onde na altura eu trabalhava. Paulo Sérgio, actual Treinador do Paços de Ferreira, era na altura jogador do Estoril e foi um dos avaliados, acabando por ser um dos piores diga-se de passagem. José Morais acabou por ser substituído no cargo por Ulisses Morais aquando de uma mudança na Direcção estorilista e conheceu a sua primeira experiência no exterior ao serviço do Dresden SC, da 2ªDivisão alemã, em 2002/2003. Após a passagem pela Alemanha, onde também esteve a estagiar no Schalke 04, junto de Jupp Heynckes, José Morais passou então pelo Académico de Viseu, começando numa situação delicada e conduzindo-o ao 4º lugar da IIª Divisão B Zona Centro. Seguiu-se em 2004/05 o Santa Clara da Liga de Honra onde não teve sucesso, acabando por sair a meio da época e nova saída para o estrangeiro, ao serviço do Assyriska Föreningen Södertälje. O Assyriska chegou ao topo do futebol sueco como representante da comunidade assíria radicada no país. Iria encontrar os famosos jogadores altos, loiros e relativamente toscos? Longe disso. Os assírios são um grupo étnico actualmente sem pátria. As suas origens estão dispersas por Iraque, Síria, Turquia ou Irão. «Chamam-lhe uma selecção nacional sem pátria. Aliás, foi feito um documentário nesse ano em que estiveram na primeira divisão, documentário que concorreu a festivais e recebeu um prémio. Nesse ano, a equipa subiu administrativamente, mas estava preparada para jogar na II Divisão e não tinha dinheiro para mais», recorda o treinador português.
O Assyriska subiu e desceu de divisão no ano seguinte, mas conquistou adeptos em cerca de oitenta países. Existem mais de cinco milhões de assírios espalhados pelo Mundo. José Morais ficou na história: "Não tinha jogadores com experiência de I Liga, mas ainda assim fez bons jogos, mesmo tendo regressado à segunda divisão. Aliás, o mesmo grupo de jogadores, em 2006, desceu à terceira divisão. Ou seja, o trabalho teve a qualidade possível e, como prova disso, posso dizer que o Assinkirya endossou-me um convite há menos de duas semanas, para tentar nova subida ao escalão principal, mas tive de declinar".
"Depois da Suécia, estive em três clubes da Arábia Saudita (Al Faysali, Al Shabab e Al Hazem). Seguiu-se um convite para trabalhar no Stade Tunisien, mas entretanto tive a oportunidade de assumir o comando da selecção do Iémen. Em termos de currículo, seria um elemento bom e decidir aceitar. Infelizmente, as expectativas foram defraudadas, não havia confianças. Senti muitas intromissões nas minhas escolhas. Acabei por forçar a minha posição e sair", refere o técnico, agora na Tunísia.

Este Artigo de Opinião vale o que vale mas achei que seria pertinente deixar a minha opinião para que eventualmente alguém de direito possa ler estas linhas e pelo menos ter acesso a alguma informação da pesquisa efectuada.

Curiosamente, no final da temporada passada sugeri um jogador ao Portimonense, um defesa central chamado Semedo que tive a oportunidade de conhecer quando ainda estava em Lisboa, inserido na minha área profissional, que também é a desportiva. Esse jogador, de 21 anos, evoluía na Distrital da AF. Lisboa mas tinha tido um percurso muito interessante nos escalões de formação, ao serviço do Casa Pia. O seu antigo Treinador no Casa Pia, Rui Torres (Responsável da Technogym, líder mundial de equipamentos para ginásios) disse-me que o jogador em causa tinha todas as condições para jogar nos Campeonatos Profissionais. Curiosamente, no dia em que liguei a Rui Torres, este tinha estado nessa mesma manhã à conversa com o Prof. Carlos Azenha onde entre outros assuntos tinham estado a falar precisamente sobre o Semedo, das suas qualidades e do facto de estar a evoluir num Campeonato muito abaixo do seu real valor. Transmiti tudo isto ao Secretário-Técnico Amílcar Delgado, pensando ser viável o facto do jogador passar por um perìodo de observação onde o clube não teria qualquer tipo de custo nem correria qualquer risco. De uma forma muito simpática, este último disse-me que para a posição de defesa-central os espaços já estavam todos ocupados e que os jogadores que eventualmente poderiam interessar teriam de possuir outro tipo de experiência. Aceitei a resposta como plausível mas não me esqueço da quantidade de jogadores que por vezes surgem a treinar à experiência como por exemplo Leo Bahia, Anderson, entre outros e que o Semedo podia ter tido pelo menos a oportunidade de mostrar aquilo que vale.

3 comentários:

Luis Gonçalves disse...

Por vezes parece que nos preocupamos mais do que os próprios dirigentes. Nós só queremos o melhor para o clube. Sairia assim tão caro ir ver o Semedo?

Anónimo disse...

Luis Marreco é Melhor.

Anónimo disse...

Conheci o José Morais em Lisboa, julgo que no início da década de 90, numa "república" de estudantes na Rua do Cabo. Só tenho a dizer o melhor a dizer como pessoa. Do ponto de vista desportivo acompanhei a sua carreira pelos jornais, pois passou pelo meu outro clube (desculpem-me mas sou daqueles que tem dois amores -Benfica e Portimonense), e posso dizer que também concordo consigo. Aposto que daria um óptimo treinador para o nosso Portimonense. No entanto julgo que o Lito Vidigal também não foi má escolha.

João Antunes