quarta-feira, 25 de março de 2009

ARTIGO DE OPINIÃO - Reflexão sobre a Formação

Resolvi partilhar com todos aqueles que se preocupam com a Formação e o Treino dos Jovens, alguns artigos que com certeza ajudarão a compreender melhor este fenómeno que já suscitou (e ainda bem) acesa discussão no nosso espaço.

No decorrer do 17º Curso de Formação de Treinadores da UEFA, que decorreu em Portugal, em Abril de 2008, foram referidas as seguintes situações:

Técnicos Qualificados

Era importante fugir da atitude de que "qualquer um pode ser treinador", em favor de produzir treinadores qualificados para formarem futebolistas aos níveis mais variados de competição. Foi pedido que os treinadores de elite disseminassem os méritos da valia de treinar. O declínio do futebol de rua levou a que tivessem de ser criadas as devidas estruturas e que fossem necessários treinos de maior qualidade para os mais jovens, com a tónica a ir para a recreação dos jogadores nas idades mais jovens, em vez da implementação de uma mentalidade de "ganhar a todo o custo".

Contributo importante

"Vocês contribuem para o desenvolvimento da modalidade e dos treinadores, estejam estes a trabalhar com jovens Sub-12, juniores, amadores ou jogadores profissionais", afirmou o director-técnico da UEFA, Andy Roxburgh, à audiência presente na sessão de encerramento do evento que decorreu em Cascais. "Contribuem também para o desenvolvimento da profissão de treinador porque, em alguns quadrantes, esta não é vista como uma profissão genuína", acrescentou.

O treino como profissão

E prosseguiu: "Penso que é parte do nosso trabalho, e dos nossos colegas que trabalham na linha da frente profissional, promover a ideia de que esta profissão tem de ser reconhecida da mesma forma que um professor ou um médico, porque existe treino profissional, que passa por uma fase de aprendizagem, exige qualificações e é alvo de contratos valorosos".

Ao consultar o excelente site Academia de Talentos, encontrei alguns artigos que de certeza absoluta serão lidos com muita atenção por todos aqueles que se interessam pela Formação.

Treino dos Jovens

Treinar crianças e jovens é uma actividade extremamente interessante, mas atribui a todos os que a acompanham, organizam e dirigem, em particular ao treinador uma grande responsabilidade, face à sociedade, mas essencialmente face ao próprio praticante pois treinar jovens poderá ser também um risco e, tanto maior é o risco quanto mais impreparados, os intervenientes no processo estiverem.

Tal como diz Tony Byrne "Em si mesmo o desporto não é bom nem mau. Os efeitos positivos e negativos associados ao desporto não resultam da participação em si, mas da natureza da experiência vivida. Frequentemente, chegamos à conclusão que um elemento importante da determinação da natureza daquela experiência é a qualidade da liderança dos adultos que a dirigem."

Parece-nos claro que nada se deve fazer sem um planeamento prévio, e este aspecto ganha ainda mais importância quando estamos a falar de jovens que ainda estão a ser educados/formados. Assim sendo, devemos elaborar um plano pedagógico e metodológico, devidamente estruturado, onde devemos definir, os meios, métodos e estratégias de actuação neste processo de ensino-aprendizagem.

Hoje em dia é claro, para a maioria das pessoas, que a formação, seja ela desportiva ou não, das crianças e jovens, deve ser, substancialmente diferente da dos adultos. Mais do que isto, é sabido que a formação e preparação da criança e do jovem deve respeitar as etapas de crescimento e maturação das estruturas e funções do indivíduo, ou seja, do seu desenvolvimento biológico. Desta forma é necessário que a prática desportiva estimule o processo de desenvolvimento, evitando as situações que o possam prejudicar.

Assim, a escolha dos treinadores adequados às necessidades dos jovens atletas, destaca-se como uma das primeiras preocupações que qualquer clube deve ter. Um bom treinador na área do treino de jovens, deve ter a clara noção que a sua actividade não se limitará a preparar e transmitir o treino. Ele desempenhará uma função de grande impacto social, educativo, formativo e desportivo, pois os jovens aprendem a maior parte dos seus comportamentos e atitudes, estruturando a sua personalidade sobretudo pela acção que os adultos lhes proporcionam. Neste contexto de treino de jovens, referindo-me em particular aos treinadores, parece-me essencial reunir, pelo menos, sete domínios importantes que irei passar a enumerar:
  • Bom senso.
  • Formação específica na modalidade.
  • Formação no terreno.
  • Formação académica.
  • Experiência e talento na condução de grupos.
  • Experiência de jogo como jogador.
  • Sentimentos de satisfação pela actividade desenvolvida.

O bom senso deve ser a base de trabalho, quer no futebol, quer em qualquer outra actividade a exercer. Qualquer pessoa tem noção que gerir o nosso dia-a-dia, requer uma boa dose de bom senso. Temos de saber "ver e ler" as situações e se necessário alterar o rumo dos acontecimentos sempre que se justifique.

Quanto à formação específica na modalidade, entendo que o estudo constante dos conteúdos específicos do futebol permite uma melhor adequação aos diversos contextos onde estamos inseridos. Temos de sentir a necessidade de alargar os nossos horizontes e aprender mais, porque é disso que necessitamos quando somos chamados a resolver problemas.

Quando falo de formação no terreno, estou a referir-me à capacidade de planear, executar, analisar, criticar e avaliar todo o processo de ensino-aprendizagem. O treinador deve questionar constantemente o seu trabalho, procurando sempre saber onde e como pode melhorar. Deve questionar constantemente a qualidade e os efeitos da sua intervenção, do conhecimento que tem da modalidade, verificando se esse conhecimento ainda se mantém válido e actualizado, avaliando igualmente as relações afectivas que se estabelecem.

Relativamente à formação académica, é importantíssimo ter sempre presente a percepção e domínio de todas as componentes inerentes à prática desportiva, ou seja, ter sempre presentes os conhecimentos adquiridos e actualizados sobre diversas áreas das quais destaco, a fisiologia do esforço, pedagogia do desporto, psicologia desportiva, metodologia do treino, entre outras.

Considero a experiência e o talento na condução de grupos como uma valência importante. O treinador deverá possuir traços de personalidade que lhe permitam exercer vários tipos de liderança, isto é, o técnico deve transformar, se necessário, a sua personalidade, adaptando-a a cada momento. O mais crucial é a gestão dos recursos humanos ao nosso dispor. É importante ter uma personalidade forte e tentar impô-la, sem, no entanto, criar medos nos jovens.

A experiência como jogador, não sendo de transcendente importância é, no meu entender, muito útil e rica no prever, identificar e antecipar de situações que podem ocorrer no treino e no jogo. É o chamado "feeling" que a vivência de inúmeras situações traz.

Se a tudo o que anteriormente foi referido, acrescentarmos os sentimentos de satisfação pela actividade desenvolvida com crianças e jovens, então teremos a garantia de sucesso.

Para finalizar, deixo a opinião de Marcelo Lippi, "Treinar jovens é uma missão. Pelo menos era como eu o sentia e é isso que quero dizer aos que treinam jovens futebolistas, treinar jovens não deve ser encarado como um ponto de passagem na carreira".

Texto de Ricardo Damas, 25/4/2008

O Perfil do Treinador de Jovens

Formar jovens futebolistas é uma actividade pedagógica aliciante e atractiva, que exige por parte de todos os que a dirigem, uma qualificação adequada e um elevado sentido de responsabilidade para com o praticante, o sistema desportivo e a sociedade (Pacheco, 2001; Urbano, 2007).

A etapa mais importante de querer ser treinador começa quando por si próprio descobre e fica convencido de que tem de melhorar a qualidade e a eficácia da sua formação. (...)

Ser treinador surge como um projecto pessoal a quem gosta da modalidade e se sente vocacionado para ensinar e treinar os outros para jogar, que se consolida quando se começa a perguntar a si próprio quais os objectivos do seu trabalho e todos os porquês sobre o que deve fazer (o que fazer, como fazer, quando fazer, por que fazer, se fizer isto o que acontece) para que esses objectivos coincidam com as aspirações dos jogadores (Araújo, 1998).

Há a necessidade de conhecer o que se faz, a forma como se faz, e porque que se deve fazer (Lima, 2000; Neto, 2006).

Sendo assim, o receio que provoca a incerteza do desconhecido nunca deve ser maior do que a vontade de nos adaptarmos às novas realidades com que vamos deparando no mundo que nos rodeia e, portanto, importa que tenhamos uma única certeza e aceitemos um enorme desafio. (...)

A certeza de que não devemos ser meros aplicadores das receitas e das modas da época e o desafio de estarmos à altura de mudarmos nós próprios, para que haja mudança (Araújo, 1997).

Todos os treinadores podem melhorar as suas capacidades, pois, para Mata (2001), uma das características que distinguem os bons treinadores é a sua sede de novos conhecimentos e o seu esforço para se tornarem melhores. Na medida em que, esse esforço pessoal é um dos factores que os treinadores têm sob o seu controlo, que deverá ser orientado no sentido de criar oportunidades para que os jovens praticantes aprendam os elementos básicos da modalidade. Devem procurar a informação, encontrar os melhores interlocutores e a melhor maneira de recolher e arquivar os materiais de que necessitam (Robertson, 1998).

Pois, o verdadeiro "segredo" dos treinadores com sucesso reside em saberem criar para si próprios um espaço de saber e de intervenção que os diferenciem dos jogadores e dos dirigentes, onde as competências e os ganhos de uns não devem nem podem ser perspectivados como incompetências ou perdas dos outros (Araújo, 1998).

O treinador deve procurar uma formação contínua, baseada na experimentação e investigação (constante busca do saber) (Ramos, 1999; Lima, 2000; Mata, 2001; Neto, 2007). Não poderá continuar a ser o ex-praticante ou o praticante em final de carreira, que sem formação específica é convidado para treinar os jovens, como recompensa pelos muitos anos de dedicação ao seu clube, e que se limita a aplicar a sua experiência de antigo atleta e a organizar e dirigir sessões de treino (Lima, 2000; Pacheco, 2001; Urbano, 2007).

"Ser treinador exige um conhecimento multidisciplinar e requer experiências que ultrapassam as aquisições de uma carreira de atleta" (Araújo, 1994, p. 37).

Para ser treinador, não é suficiente ter praticado a modalidade, independente do nível a que chegou. O conhecimento adquirido por essa via não é suficiente para uma liderança efectiva, particularmente numa área como a do desporto, em que a informação precisa de ser aplicada em situações muito concretas e práticas, normalmente sob a pressão do tempo e sujeita a uma permanente avaliação pelos outros (Robertson, 1998).

A experiência do atleta é importante mas, para além da lógica do jogo e dos seus elementos, torna-se fundamental dominar a lógica pedagógica do ensino (Araújo, 1997).

Como exemplo disso, Araújo (1998, p. 153) afirma que, "ser treinador como a função de facto lhe exigiu requereu conhecimentos e competências que ultrapassaram em muito as aquisições da carreira que teve enquanto atleta".

O treinador necessita de aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver na sociedade desportiva, aprender a ser treinador e aprender a saber estar no universo da sua modalidade e do desporto em geral (Araújo, 1998).

Será um bom treinador, quem tenha condições inatas para o ser, e o que em toda a vida esteja disposto a aprender e a aperfeiçoar-se, assim como fazem os grandes desportistas, pois treinar e fazer treinar é uma tarefa difícil e muito complexa (Ruiz, 1998, citado por Pacheco, 2001; Urbano, 2007).

Desta forma, na preparação dos jovens, devem estar treinadores qualificados, que gostem de trabalhar e que consigam estabelecer uma boa relação com os jovens, que sejam conhecedores das suas diferentes fases de desenvolvimento e que conheçam os meios e os métodos mais adequados para o desenvolvimento integral dos jovens, das prioridades da sua intervenção, ou seja, possuidores de uma filosofia de trabalho (Figura 1) ao serviço dos interesses e das necessidades dos praticantes mais jovens (Adelino et al., 1999; Pacheco, 2001).

O treinador, para além dos seus conhecimentos técnico-científicos, tem de ter um outro conjunto de competências, de mais difícil aquisição, ou seja, capacidade de liderança, para que os seus atletas acreditem nele e o sigam empenhadamente; bom relacionamento com os atletas, o que implica ser justo e coerente; cultura e conhecimento dos problemas da juventude de hoje, para poder dialogar e compreender os seus atletas e fundamentalmente acreditar no trabalho que está a realizar (Da Silva, 1998).

Pois, "a competência não se mede pela actividade física no banco, mas pela agilidade mental, a qualidade do treino e a capacidade de liderança" (Águas, s.d., citado por Neto, 2007).

O treinador, de acordo com Mata (2001, p. 1), deve ser uma "personagem capaz de elevar efectivamente as capacidades e competências humanas dos jogadores, ao seu mais alto nível de rendimento, materializando as expectativas das equipas, por um lado, e as ambições e sonhos dos jogadores com quem trabalha. Assim, o treinador deve:

  • Ser uma pessoa aberta e arguta;
  • Ter uma visão criativa, global e dinâmica;
  • Ser uma pessoa com um profundo conhecimento do jogo, a todos os níveis;
  • Ter um profundo conhecimento do treino (treino que deve atender ou ser feito de acordo com a estratégia da equipa e o nível de rendimento dos jogadores);- Possuir uma cultura geral e específica (conhecimentos interdisciplinares - não se limitar ao Futebol);- Ter uma intervenção formativa junto dos jogadores - deixar marcas positivas nas suas vidas (ser uma referência);
  • Ser líder;
  • Ser capaz de transmitir um ambiente de confiança e mútuo respeito".

No entanto, cada treinador deve actuar de acordo com as suas características e limitações, sem nunca esquecer a responsabilidade que lhe está atribuída quanto à formação social e emocional dos atletas com quem trabalha e à melhoria gradual destes, no âmbito dos conhecimentos relativos à modalidade a que se dedicam (Araújo, 1994).

Segundo Araújo (1998), cada treinador, sem invalidar a aprendizagem decorrente da observação e análise dos comportamentos dos restantes treinadores, deve actuar de acordo com a sua individualidade, as suas características e limitações, modelando as suas intervenções relativamente à forma de ser e estar mais cómoda e eficaz para si e para o seu trabalho.

Pois, "não existem treinadores ideais, muito menos um perfil único de treinador. O treinador tipo "super-homem" de banda desenhada, "que sabe tudo" e "nada o perturba", "homem sem defeitos" e comportamentos sociais e desportivos sempre irrepreensivelmente modelares, não passa de um produto imaginário criado e alimentado por enquadramentos sociodesportivos alienatórios da realidade" (Araújo, 1998, p. 154).

O treinador é um ser humano sujeito aos problemas e dificuldades de qualquer cidadão e que, como qualquer outro, tem naturais necessidades de realização pessoal, de auto-estima e de pertencer a um grupo profissional socialmente dignificado. Não sendo "super-homem", errará como qualquer humano, devendo no entanto cuidar o mais possível para que tais erros não se repitam para além do que possa ser minimamente justificado, para isso deve possuir uma sólida cultura desportiva, e preocupar-se com a sua autoformação cultural (Araújo, 1998).

Um bom Treinador, não tem que ter sempre resposta e situações para tudo. Ninguém, seja em que domínio científico for, tem resposta para tudo. O Treinador eficaz é aquele que está aberto a todas as opções possíveis de forma a responder apropriadamente nas diferentes situações e problemas com que se confronta a competição. Ao reconhecer que não sabe tudo ou não conhece tudo, o treinador está a ser verdadeiramente humano (Neto, 2007).

Porém, o maior erro é ignorar os erros, já que os melhores são aqueles que erram menos vezes; o erro não deverá ser um inimigo do treinador, mas sim um elemento que o vai ajudar a corrigir os seus próprios erros, bem como os erros da sua própria equipa (Pacheco, 2001).

Desta forma, para Robertson (1998), os treinadores deverão ser pessoas intelectualmente abertas e suficientemente maduras para verem os próprios erros, na mesma perspectiva como encaram os erros dos praticantes, ou seja, como experiências positivas do processo de aprendizagem. Devem aceitar a crítica e o "feedback" como fontes da sua própria aprendizagem (Urbano, 2007).

O errar, por muito humano que seja que tal aconteça, é algo que os treinadores procuram evitar através de uma cada vez maior e melhor autopreparação e responsabilização na sua carreira (Araújo, 1998).

Uma das características dos bons treinadores é o desejo e a capacidade permanente de se actualizarem, de saber sempre mais, o que passa por uma formação contínua, através da participação em debates e colóquios de treinadores, da leitura de revistas da especialidade, da observação e na troca de experiências de métodos de treino (Pacheco, 2001).

De acordo com Cruyff (2002, citado por Antão, 2006, p. 69), "devemos estar sempre dispostos a aprender coisas de outros".

Ser bom treinador é um conjunto de pequenas coisas e comportamentos que vão sendo aprendidas através da experiência e treinadas através duma formação adequada (Neto, 2007).

Por isso, o treinador deve actualizar-se constantemente perante os sofisticados métodos e tecnologias de treino a utilizar (Araújo, 1998).

"Ser treinador subentende um constante interesse pela inovação científica, pedagógica e cultural e a recusa permanente de atitudes seguidistas ou subservientes" (Araújo, 1997).

Desta forma, aqueles que estão permanentemente a procurar melhorar, serão os treinadores que vão desenvolver competências capazes de os levar a realizar acções do treino e da competição de que os seus praticantes vão beneficiar (Vale, 2008).

Sendo assim, Mata (2001) afirma, que ao nível da sua formação técnica deve pautar-se por uma permanente actualização de conhecimentos:

  • Novos conceitos e metodologias;
  • Informática (recolha de dados);
  • Conhecimento de fisiologia (gestão do esforço), anatomia, psicologia, etc.

Para Araújo (1998), ser treinador implica um saber estar e um saber ser muito além dos necessários conhecimentos técnico-tácticos da modalidade respectiva. A coerência e solidez da carreira do treinador dependem, fundamentalmente, da sua bagagem como motivador dos jogadores que integram as equipas que orienta e dirige. (...)

É o saber estar que vai exigir a sua preparação como motivador. Essa preparação é, com efeito, uma exigência quando atendemos a que cada jogador tem uma personalidade própria e tem direito à diferença. Este saber estar corresponde a um processo de valorização que se inicia quando, por si próprio, entende a necessidade de proceder à sua auto-avaliação de um modo constante, consciente e responsável. (...)

O saber ser treinador, é um saber que se constrói a partir do momento em que se toma a decisão de querer conhecer o mais possível sobre a modalidade com a finalidade de transmitir aos jogadores todos os conhecimentos que contribuem para a valorização progressiva das respectivas prestações competitivas e o desenvolvimento da personalidade individual de cada um deles.

Para isso, segundo Araújo (1994, p. 40) "ser treinador exige qualidades imprescindíveis, tais como:

  • Saber/conhecimento;
  • Habilidade para ensinar (têm de ser capazes de transmitir os seus conhecimentos, pois não basta saber, é preciso saber ensinar);
  • Qualidades próprias (ser leal para o grupo de trabalho, liderar todas as suas actividades, ser natural e actuar de acordo com as suas convicções);
  • Trabalhar em equipa;
  • Criar clima de sucesso (entusiasmo, dedicação, responsável, criativo)".

O treinador tem de ter um conjunto de qualidades pessoais, tais como: qualidades de liderança, apaixonado e entusiasta pelo jogo, organizado, paciente, energético, exigente, humilde, prático, amigo, sério e comunicativo, bem como qualidades profissionais, tais como: ter jogado futebol, pedagogo do futebol, construtor do grupo e da sua dinâmica, conhecimento das capacidades físicas e de fisiologia, especialista em jovens e um bom scout (Campbell, 1998; Mata, 2001; Castro, 2008).

"Saber treinar, aprende-se... à custa de uma aprendizagem que se processa todos os dias e que se enriquece com todos os acontecimentos desportivos, culturais e sociais que o treinador consiga integrar na sua valorização como ser humano e cidadão. Saber treinar, aprende-se através de uma atitude que preza o saber que nos é transmitido em acções de formação, o saber adquirido na prática, o saber transmitido pelos outros treinadores, o saber discutido com os outros, o saber conseguido por muitas leituras, o saber alcançado pela reflexão, o saber divulgado pelas fontes do conhecimento científico e o saber criado pelos atletas" (Lima, 2000, p. 28).

Texto de Pedro Machado, 31/10/2008

Os Objectivos do Treinador de Jovens

A actividade desportiva para crianças e jovens é feita a sério quando prioritariamente nos preocupamos com os objectivos dessa actividade e com a satisfação que deve proporcionar a todas elas no domínio dos seus interesses e necessidades, isto é, quando a nossa actuação se subordina à finalidade última - contribuir e promover o desenvolvimento integral das crianças e jovens (Lima, 2000).

O treinador desempenha uma função central no desenvolvimento do jovem atleta, do ponto de vista físico, psicológico, emocional e social (Campbell, 1998). Uma vez que, comunica com os praticantes das mais diversas formas: através do interesse que demonstra pelos problemas pessoais de cada um, da justiça e da igualdade de tratamento que caracterizam as suas acções dentro e fora do treino, do recurso oportuno ao humor e à zanga, da confiança que lhes transmite mais pelos seus actos do que pelas palavras, do modo como corrige os erros e aplaude os sucessos ou os esforços que os praticantes fazem para os conseguirem alcançar, regulando deste modo a criação de um ambiente de treino, ao mesmo tempo alegre e sério, descontraído e concentrado (Adelino et al., 2000).

O treinador é uma "Figura Central" de um vasto e complexo sistema de relações e de influências que compõe a actividade desportiva (Pacheco, 2001). Ele é o mais poderoso agente de socialização, pois constitui no desporto infanto-juvenil o elemento nuclear do processo desportivo e é instrumento determinante da sua transformação (Gonçalves, 2004; IDP, 2004).

Desta forma, as tarefas do treinador de jovens são um desafio permanente, aliciante e ao mesmo tempo recompensador. Trata-se de uma oportunidade de moldar as vidas de muitos jovens dos quais alguns poderão vir a chegar a ser campeões mas muitos outros nunca conseguirão viver esse momento (Campbell, 1998).

Por isso, Wooden (1988, citado por Araújo, 1998, p. 184), afirma que os jovens precisam de modelos, não de críticas.Uma vez que, a maioria das pessoas aprende melhor seguindo um bom exemplo, do que através das palavras que lhe sejam ditas sobre a maneira correcta de agir (Adelino et al., 2000).

Tal significa que os treinadores devem conduzir o seu processo de treino baseado no exemplo das suas acções e comportamentos, o que implica a necessária coerência entre o discurso pedagógico e a prática, ou seja, passa substancialmente pelo exemplo, fundamentalmente, da sua prática, pela maneira como agem nos momentos de tomarem decisões, pelo modo com se comportam face a determinadas situações, fazendo apelo às suas convicções e valores (Gonçalves, 2004).

O treinador terá assim de ser um bom exemplo e um bom modelo:

  • Deve ser o primeiro a evitar a violência e a cultivar o Fair-Play;
  • Não deve incentivar os seus jogadores a utilizarem truques, agressões, expressões negativas ou malcriadas;
  • Deve assumir sempre a responsabilidade pelos seus actos e comportamentos pessoais;- Deve estar permanentemente atento ao que se desenrola à sua volta, quer nos treinos quer nos jogos, ajustando rapidamente as suas decisões às situações que ocorram;
  • Deve tomar decisões sempre a contento e a favor do colectivo, independentemente de colidirem com os interesses individuais de um ou outro dirigente ou pai;
  • Deve estar sempre junto da equipa, independentemente dos prejuízos pessoais e de ordem familiar;
  • Deve saber o que é valorizado muitas vezes, para os pais, dirigentes e público, são as vitórias, no entanto no futebol juvenil, tal situação não é a referência mais importante do sucesso.(Urbano, 2007)

Enquanto exemplo e modelo o treinador deve ainda transmitir, porque as pratica, as atitudes e comportamentos essenciais à aprendizagem e ao progresso:- Assiduidade e Pontualidade;- Gosto de aprender, saber fazer e fazer bem;- Participação disciplinada nos treinos e competições;- Empenho e persistência.(IDP, 2005; Urbano, 2007)

Assim sendo, o treinador, através de tudo aquilo que faz, educa e forma seres humanos, e constitui um modelo para todos aqueles com quem trabalha no dia a dia (Pacheco, 2001).

Pois, aquilo que o adulto diz e a maneira como ele age, irá determinar o comportamento do jovem, na medida que estes se encontram na fase de formação da sua personalidade e de aquisição de valores e referências determinantes para a sua vida futura (Campbell, 1998; Adelino et al., 2000; Pacheco, 2001).

O treinador nas suas relações com todos os que o rodeiam, deve ver a sua autoridade reconhecida, mais do que imposta (Araújo, 1998).

Deste modo, a determinação e empenho que o treinador coloca no seu trabalho com jovens, a seriedade e disciplina que exige durante a sessão de treino, não podem ser obstáculo a um tipo de relacionamento próximo e afectivo, em que o treinador procura interessar-se pelos problemas dos seus praticantes, manifestando gosto de conversar com eles e disponibilidade para abordar qualquer assunto (Adelino et al., 2000).

O educador de jovens deve ser moderado, tolerante e motivador, possuir conhecimentos de Futebol, mas que, para além disso, conheça as características dos jovens do seu escalão etário, por forma a que na sua intervenção pedagógica saiba o que deve ensinar, as exigências que pode colocar e aquilo que poderá vir a esperar dos seus atletas (Pacheco, 2001).

Pois, as suas funções ultrapassam substancialmente os aspectos relativos ao ensino da técnica e da táctica e ao desenvolvimento das suas qualidades físicas, abrangendo outras áreas não menos importantes, que podem condicionar o seu comportamento desportivo, mas de que é possível, igualmente, extrair reflexos para a sua vida de cidadão comum (Adelino et al., 2000; Gonçalves, 2004).

Referimo-nos as que se relacionam com as questões da ética, do espírito desportivo, da socialização das crianças e jovens (Gonçalves, 2004).

Ser treinador de jovens não se reduz apenas a intervir no ensino e aperfeiçoamento dos aspectos técnicos, tácticos, físicos e regulamentares de uma modalidade desportiva, mas envolve também, obrigatoriamente, a transmissão de atitudes, hábitos de trabalho e regras de comportamento e convivência que valorizem o jovem não só como praticante, mas simultaneamente, como indivíduo e cidadão (IDP, 2005).

O treinador deve assim, procurar contribuir para o crescimento dos seus atletas, enquanto atletas, mas sobretudo, como homens, Homens de valor e com valores (Mata, 2001, p. 2).

A prática desportiva deve assim constituir, para as crianças e jovens, um complemento importante da sua actividade escolar e não a sua ocupação ou centro de interesse exclusivo ou predominante (Adelino et al., 2000).

Segundo Adelino et al. (2000) e o IDP (2004), uma das responsabilidades do treinador é desenvolver no praticante o hábito de organizar o seu tempo, isto é, ensinar os jovens praticantes a articular de forma equilibrada, o horário escolar, o tempo de estudo, os treinos e as competições, o tempo livre e o repouso, permitindo assim, concretizar o potencial formativo e educativo do desporto juvenil. Ou seja, o treinador deve ajudar o praticante a organizar o seu regime de vida. Tendo em vista as exigências que hoje se colocam na preparação dos jovens que conseguem entrar no desporto de alto rendimento, eles precisam de ser ajudados a maximizar o seu tempo e nunca a sacrificar a sua educação ou as suas carreiras profissionais a fim de conseguirem ser "o melhor do que são capazes" (Campbell, 1998).

O treinador deve ter em conta que os resultados provenientes da sua intervenção têm profundos reflexos sociais pela influência educativa (ou deseducativa) que exercem nos jovens e nos adultos, quer sejam praticantes ou adeptos (Araújo, 1994).

Pois, mais e melhor formação escolar significam atletas melhor preparados para a vida extra-futebol, mas também melhor capacidade para entender o jogo e o processo de treino (Cardoso, 2008).

O papel do treinador nos escalões de formação será o de alimentar, apoiar e desenvolver todas as facetas das crianças no desempenho das suas tarefas e, acima de tudo, dar à prática desportiva um carácter de alegria e diversão (Campbell, 1998). Tendo como principal objectivo, contribuir para a formação adequada dos jovens, mas incentivando sempre o desejo e o gosto pela vitória, já que vencer é uma ambição de qualquer ser humano. Não se trata, contudo, de vencer a todo o custo, pondo em causa a formação dos jovens jogadores (Pacheco, 2001).

De seguida, apresentamos os objectivos específicos dos treinadores de jovens:

  • Conhecer bem os jovens que treina, bem como as características das suas diferentes fases de desenvolvimento;
  • Promover o seu desenvolvimento físico geral, de uma forma equilibrada e harmoniosa;
  • Contribuir para o desenvolvimento das capacidades específicas (físicas, táctico-técnicas e psíquicas) do Futebol, de acordo com as capacidades e as necessidades dos jovens;
  • Desenvolver o gosto e o hábito da prática desportiva regular;
  • Orientar as expectativas dos jovens e dos seus familiares de uma forma realista;
  • Garantir a aprendizagem e o aperfeiçoamento das técnicas básicas;
  • Dirigir as suas acções, valorizando fundamentalmente o esforço e o progresso na aprendizagem, colocando em primeiro lugar os interesses dos atletas e só depois as vitórias da equipa.(Adelino et al., 2000; Pacheco, 2001)

É, pois importante ter-se consciência de que o conhecimento do significado e utilidade do que é ser treinador depende em grande parte da extensão e do nível de qualidade do seu desempenho (Urbano, 2007).

O sucesso de um treinador não se mede exclusivamente pelo número de vitórias ou derrotas que experimenta mas, sobretudo, pelos atributos que da sua acção resultam no desenvolvimento do sistema desportivo, das modalidades, dos atletas, dos outros treinadores, dirigentes e de todos os cidadãos em geral (Adelino et al., 1999).

Ser treinador de Futebol Infanto-Juvenil, é trabalhar sem relógio e ter todo o tempo disponível dedicado à formação dos jovens. É preciso ter paciência e perseverança, pois os frutos do trabalho desenvolvido só aparecerão a longo prazo (Ruiz, 1998, citado por Pacheco, 2001).

Texto de Pedro Machado, 10/12/2008

Espero que estes artigos tenham contribuído para esclarecer muito daquilo que é ou deveria ser a Formação e sobretudo os requisitos e as qualificações de quem deve ou deveria estar ligado a ela.

13 comentários:

Observador disse...

O Departamento de Futebol Formação devia ter um manual para dar aos Pais como acontece em diversos Clubes .

Bom trabalho este atenção de todos os treinadores de jovens jogadores .

obrigado , vem na altura certa

"Guetov"

A.P disse...

Muito Bom texto. . .


;)

Anónimo disse...

aii eu é que nao vou ler isso tudo

Rui - Arm Pêra disse...

ehhhh láaaaa..ca ganda testamento, fónixxxx, espera aí que eu vou ali venho já.

Anónimo disse...

Excelente, trabalho de pesquisa...
Isto é o que se chama serviço publico.

Parabéns

Luis Barradas

Anónimo disse...

os juniores estao bem entregues ao prof. jose augusto , um treinador k tem o perfil p formar jogadores tanto psicologicamente e fisicamente.

Anónimo disse...

Guetov só falta mesmo uma opinião tua sobre este assunto.

Ruben disse...

Oh Guetov,

Concordo aí com ultimo anonimo, gostava de ler a tua opinião própria sobre o assunto, até porque tens algumas competencias na área.

Estes artigos e opiniões são interessantes, mas podias ter colocado os links, que quem quisesse ia ler, mas pronto também fizeste uma boa compliação para futura consulta.

abraço

Miguel Menezes "miGLã0" disse...

No Curso de Treinador de Futebol que tirei aqui há uns anos, deu-se ênfase precisamente à necessidade de uma muito melhor formação e riqueza de competências necessárias a quem treina no futebol juvenil, comparando com as necessidades do futebol senior.

Pode parecer paradoxal, porque quer-me fazer parecer que a opinião comum considera necessária uma muito maior formação e especialização para o desempenho das funções de treinador de uma equipa de seniores, no entanto, e indo de encontro a tudo aquilo que está escrito neste POST, dada a necessidade de se respeitar a maturação dos jovens a vários níveis, sejam eles psicológicos, fisicos ou fisiológicos, assim como sociais e outros, dá-se a necessidade de uma competência e um "tacto" muito mais desenvolvidos a quem lida com os jovens...

A questão de se dar uma maior importância às vitórias competitivas, relegando para segundo plano a própria formação em si, é um facto tantas vezes evidente por este país afora e em tantas colectividades, o que é lamentável.

guetov disse...

Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer um ponto:

A minha opinião reflecte precisamente aquilo que cuidadosamente e criteriosamnete fui buscar a outros autores.

Ao longo do meu percurso neste blog, já por inúmeros vezes dei a minha opinião sobre a Formação e o Treino dos Jovens.

O Prof. Luís Martins tinha todas as condições para liderar um projecto ligado à Formação e ao mesmo tempo estar no Futebol Profissional. Se calhar como Manager, ficando o cargo de Treinador Principal entregue a outra pessoa.

Existia também a possibilidade do Prof. Vítor Maçãs ficar ligado à Formação como Conselheiro.

O importante e fundamental na minha opinião é que a pessoa ou pessoas responsáveis pela área técnica do Futebol Profissional e da Formação, das duas uma, ou fossem a mesma, ou pertencessem à mesma equipa.

Por outro lado, também seria fundamental que a Direcção do Portimonense apoiasse e sobretudo informasse os associados, em reuniões mensais, por exemplo, do trabalho, dos objectivos, das iniciativas, etc, a decorrerem no âmbito do Futebol Profissional e sobretudo da Formação.

Isto, porque como devem calcular, só a longo prazo surgiriam resultados dum trabalho a ser realizado por uma Equipa Técnica que, salvo alguns acertos, nunca poderia estar constantemente a ser alterada.

O que se passa neste momento, na minha opinião, é que a maioria dos Tecnicos que trabalham na Formação são qualificados e produzem um bom trabalho no seu todo, mas ao mesmo tempo, não existe dentro do clube uma verdadeira política e aposta na Formação. Isto leva a que esse mesmo trabalho possa não ter dividendos dentro do clube, para além de poder gerar alguma desmotivação nos Técnicos.

Seria assim fundamental, constituir uma Plataforma forte, qualificada e empreendedora dentro do clube, que englobasse, para além dos Técnicos do Futebol Profissional e da Formação, Dirigentes das mesmas áreas, também eles com as mesmas características/qualificações.

Acredito que desta forma fosse possível, proporcionar aos jovens que frequentassem os escalões de Formação, os benefícios da mesma, que ultrapassam em muita a vertente desportiva e paralelamente, poder o clube integrar no seu plantel profissional, um cada vez maior número de elementos provenientes da Formação. Desta forma, seriam igualmente criadas condições para o Portimonense finalmente tivesse a possibilidade de realizar verbas provenientes de eventuais vendas dos seus activos.

Em relação a questões, como disse o Ruben, mais técnicas, claro que gostaria um dia de poder ajudar dentro daquilo que foi até há bem pouco tempo, a minha área profissional.

Terei todo o gosto em discutir com quem esteja interessado questões que dizem respeito ao Treino de Jovens e não só, pois é algo que me dá um imenso prazer. O Futebol cruzou-se na minha vida de uma forma esporádica, mas o facto de ao longo dos anos ter acompanhado/treinado pessoas, desde atletas, populações especiais, como grávidas, jovens ou cardíacos e claro está, também aqueles que apenas tinham como objectivo a melhoria da condição física, a perca de massa gorda ou aumento da massa magra leva-me a continuar a acompanhar atentamente esta vertente que diz respeito ao Treino.

Treinador disse...

isto é tudo muito bonito , mas sem qualidade nos jogadores nada feito , ninguem nasce ensinado mas de uma pedra não se faz um jogador de futebol.

não estamos a falar do alvorense ou do lagoa , etc.......

Pedro disse...

Vejamos o exemplo do Sporting neste caso.
Temos que salientar o trabalho do Prof Martins nesta area, ajudou o PSC e até foi ao Brasil buscar o Códo (Lagoa) e o Raphael (Porto)

EDGAR disse...

Não é fácil fazer formação em Portugal,temos matéria prima como poucos países europeus, mas falta-nos poder económico e paciéncia.A formação tem que começar nas idades mais baixas, por isso devemos formar quer desportivamente quer socialmente os jovens em idades de pré-escolas.Esses atletas vão crescer com uma formação mais rica e completa, sendo mais fácil a sua evolução e adaptação ao futebol mais tarde nos escalões superiores, aonde o nível competitivo vai ser mais exigente. Um clube que queira fazer um trabalho positivo nesta área, terá que observar e captar jovens nessas idades mais baixas,podendo depois trabalhar e formar estes jovens dentro do seu projeto de formação, não podendo esquecer o seu meio familiar e social.
Mesmo os clubes mais pequenos podem ter um projeto adaptado a sua realidade de acordo com a zona em que estão inseridos.
Mas não podemos esquecer o mais importante, ensinar os jovens a jogar futebol, o problema é que a maioria quer ensinar a ganhar e isso normalmente resulta à curto prazo, depois nas idades mais competitivas estes jovens não estão preparados nem aptos para o futebol de alta competição.
Um araço a todos
EDGAR JAQUES