quarta-feira, 8 de abril de 2009

HOMENAGEM A 12 DOS NOSSOS




8 de Abril de 1989

Passam hoje 20 anos sobre a data mais triste da história do Portimonense.
À época a palavra “Internet” era desconhecida. Os telemóveis, praticamente inexistentes, não serviam como meio de comunicação para transmitir informações em tempo real numa sociedade onde as notícias circulavam mais devagar.
Nesse Sábado, 8 de abril, bem cedo, grupos de adeptos integraram-se em várias excursões que iriam acompanhar o Portimonense ao Porto onde, no dia seguinte, o nosso clube iria defrontar o Boavista em jogo a contar para 33ª Jornada do Campeonato Nacional da 1ª Divisão.
Seria mais um fim-de-semana de convívio, igual a tantos outros, mas algo não correu como previsto. À saída do Algarve, entre Albufeira e S. Bartolomeu de Messines, um autocarro teve um acidente com graves consequências numa das antigas estradas que ligavam ao IP2, a velhinha estrada para Lisboa. Sim, o Algarve era uma zona quase remota de Portugal e ainda não era servido por auto-estradas.
A informação chegou a Portimão nessa manhã, sem grandes pormenores por vivermos numa época de pré-globalização. Sem telemóveis, em cada canto da cidade a notícia circulava “boca a boca” e era confirmada horas mais tarde nos noticiários da RTP, único operador televisivo existente. O rádio servia como alternativa e ia acrescentando detalhes. Vários adeptos do nosso clube tinham perdido a vida, outros estavam feridos e, definitivamente, a cidade ficou diferente.
Nome após nome, familiares, amigos, ou simples conhecidos dos adeptos que viajaram, constataram que o Portimonense estava de luto. Poderíamos referir os nomes de todos os que tragicamente nos deixaram. Preferimos deixar as famílias anónimas, por respeito.
Nos dias seguintes a cidade parou para se despedir de 12 pessoas que sentiam a mesma paixão que nós: o Portimonense!

10 de Abril (Segunda-Feira) a Igreja do Colégio foi pequena para tanta gente. Em Portimão, cidade onde todos se conheciam que o futebol uniu, não existia uma única pessoa que, de forma directa ou indirecta, tivesse como fugir para bem longe daquele pesadelo. Pessoas vagueavam nas ruas à procura de vizinhos e amigos que soubessem mais que eles próprios.
O comércio encerrou. A cidade recebeu as mais altas figuras desportivas e políticas da altura. Os adeptos do Portimonense compareceram em peso. Anónimos e amigos juntaram-se na mesma dôr. Aí percebeu-se que não era só o Portimonense que estava de luto. O país, pequeno mas distante pelos precários meios de comunicação existentes, mostrou-se solidário.
Por curiosidade, o jogo do Bessa terminou com uma vitória do Boavista por 1-0 perante um Portimonense digno, que bem se esforçou para conseguir outro resultado, homenageando os seus adeptos. O Portimonense alinhou com Sérgio; José Carlos, Aurélio, Floris, Justiniano (Guetov, 75m); Augusto, Vado, Nivaldo, Skoda; José Pedro e César Brito. O treinador era José Torres.
É esta a explicação para o drástico decréscimo de excursões que se verificou desde então. Feridas difíceis de sarar que afectaram toda uma geração e que, pouco a pouco, vão cicatrizando à custa de pessoas como o Sr. Catarino que, teimosamente, continuam a empolgar adeptos para palmilhar o País, acompanhando sempre o nosso clube. Ao pé de quem, qualquer um de nós será sempre demasiado pequeno.
Ainda hoje, há várias famílias para quem o Portimonense só pode significar tristeza. A elas dirigimo-nos dizendo que, apesar de terem passado 20 anos, não esquecemos aqueles que, de uma forma precipitada, deixaram a nossa grande Família que veste de preto e branco. Compreendemo-vos e, de uma forma diferente, sentimos um pouco do que vocês sentem.
Gostaríamos de ter mais 12 pessoas a cantar connosco em cada vitória. Esperamos ser dignos do legado que nos deixaram.
Lamentamos serem obrigados a reviverem tudo isto. No entanto temos a certeza que, hoje, muitas pessoas querem agradecer-vos por serem Portimonenses como nós e isso tem que ser superior ao resto pois o caminho tem que ser em frente.

Passam hoje precisamente 20 anos sobre o dia mais triste da história do Portimonense, da própria cidade de Portimão, e da história recente do Futebol português. Fôssemos um Benfica, um Sporting ou um Porto e esta efeméride seria recordada de outra forma. Somos Portimonenses por isso choramos entre nós este dia 8 de Abril. Isso chega-nos.

Não perdemos 12. Ganhámos 12 que nos acompanham em cada viagem por esse país, de certa forma cumprindo os quilómetros que Eles não chegaram a cumprir.

Esta é a melhor Homenagem que Vos podemos fazer neste dia. Pequenina demais para tanto que ainda significam.


Agradecemos à equipa do Jornal Barlavento que nos cedeu as imagens da edição original que foi para as bancas a 13 de Abril de 1989.

8 comentários:

Anónimo disse...

A mais bela e simples homenagem está no post que escreveste caro Simoesonov.
Encontraste as palavras que tanto desejariamos saber escrever ou pronunciar.
Bem hajam todos.

Pinto Joaquim disse...

Da minha familia foram 2 pessoas , (Padrinho e Madrinha), homenagem sentida a todos e a todas as familias envolvidas.

Alvaro disse...

OBRIGADO!

Simões disse...

Inesquecíveis! Sempre connosco!

Nuno Pacheco disse...

Jamais esquecerei este triste episódio da nossa história. Estarão eternamente na memória da família portimonense. Recordo a cerimónia fúnebre em que o PORTIMONENSE esteve representado pelo presidente Manuel João, o falecido Mira Pacheco, Herminío Rebelo, o sr, Virgílio (secretaria), entre outros, num momento que jamais será esquecido pelos familiares das vitímas e por todos nós PORTIMONENSES.

guetov disse...

Em primeiro lugar felicito o Pedro Simões por este post, estiveste muito bem, parabéns!

Em segundo lugar deixo uma palavra de conforto para as famílias daqueles que faleceram nesse trágico dia.

Em terceiro e último, não posso deixar de referir o facto, de mais uma vez, quando seriam de esperar mais comentários, nem vê-los..., dá que pensar...

Anónimo disse...

Nao nasci nesse ano, mas o meu pai ja me tinha falado nisso. Foi, sem dúvida, uma tragédia. É muito triste sem duvida algum,mas somos o PORTIMONENSE!

PORTIMONENSE SEMPRE!

Armindo Vicente disse...

Ainda querem vocês deixar cair o blog!!!
Parabéns por mais um gesto nobre, de dignidade e respeito pelo(s) Portimonense(s).

jornal "barlavento" é aquela máquina. Competente e actual até na História.

Um abraço

Armindo Vicente